terça-feira, 9 de junho de 2009

Viagens


A leitura de um blogue de uma amiga minha- - dei por mim a relembrar-me da minha aventura de há quase um ano.
Algures em 2008, e por desafio de uma amiga minha e o facto de outra viver em Buenos Aires, decidi que tinha de ir à Argentina. Era América Latina, era uma oportnidade única. Tinha de ir. Estava decidido.
Estava também claro que, porque tinha de tirar férias em final de Julho e início de Agosto, não tinha companhia para os meus 20 e tal dias de férias (os primeiros 20 duas seguidos de férias tirados desde 2002). Mas, e apesar de receosa, estava tão cansada e farta de trabalho que pensei, na pior das hipóteses, fico o tempo inteiro em Buenos Aires, a viver as coisas simples da vida e a descnsar o que tinha a descansar. A esta distância; que tonto raciocínio!

Mas foi assim, fiz a mala, meti camisolas de inverno suando no julho lisboeta, ainda entre viagens para Bruxelas e notas para reuniões em Lisboa. Meti, primeiro varios livros para o avião, coloquei o portátil de lado. Depois, refiz a mochila de mão, além do guia novo em folha e por abrir (sim, cheguei a Buenos Aires sem abrir o guia, confiante - e com razão - de que os meus amigos me dariam ajuda e depois leria o guia - mais uma vez, com toda a razão, li-o variadas vezes ao longo do meu mês de viagem), enfiei o portátil, dois livros, um diário para a viagem (sim ainda os escrevo e à mão), i-pod com musica, o meu kit de sobrevivência/beleza para 14h ou mais de avião seguidas, e as 5 horas no aeroporto de Madrid.

Em nenhum momento, pensei realmente que iria andar de mochila ao ombro durante três semanas, sozinha, de um lado para o outro no noroeste da Argentina. Talvez se tivesse pensado muito no assunto, não teria feito a viagem. Mas agradeço hoje mais do que nunca não ter pensado muito sobre como ia fazer a viagem, agradeço até o cansaço que me impediu de fazer grandes planos para a viagem.

Foi por isso mesmo, que a viagem à Argentina, uma verdadeira viagem, estou certa que uma das viagens da minha vida, foi o que foi: maravilhosa, energética, louca em determinados momentos, em que de repente me apercebi de que os meus limites são bem mais além do que pensava. E em todos aqueles dias, mesmo sozinha, nunca estive só. Conheci pessoas fantásticas, com quem ainda me correspondo, outras que recordo com um sorriso nos lábios, pelas alegrias e disparates que partilhámos.

E, sim, são experências que são intensas e que, pese embora o cliché, nos mudam, nos transformam. E as pessoas que conheci depois dessa mesma viagem, conheceram uma pessoa diferente, mais rica, mais independente, mais tolerante... e os amigos que já me conheciam há tantos anos, reencontraram uma pessoa que há anos estava escondida no vaivém do quotidiano.

E mesmo que de vez em quando me esqueça da promessa que fiz a mim mesma naquela viagem, em Iguaçu, mesmo que de vez em quando não me consiga recordar de que sou capaz de muito mais do que penso, há sempre um momento a seguir em que isso me é novamente relembrado. Desta feita por uma maravilhosa amiga! que também conheci numa viagem... que começou há mais de 20 anos;-)