segunda-feira, 30 de agosto de 2010

véspera

Estou com a sensação de que me estou a esquecer de alguma coisa, daquelas importantes, mas já verifiquei, passaporte, bilhete, declaração para entrar no território... uhm... acho que é aquilo a que chama "cold feet". Ontem, deu-me para ligeiramente choramingar, mas rapidamente passou. Hoje, estou demasiado cansada das últimas corridas: banco, farmácia, oculista, últimos jantares, almoços e cafés - sim, o dia hoje foi também preenchido, dentro do razoável. Olho para a mala, a mochila e a carteira e penso: como é que eu vou fazer passar este peso todo pela alfândega e, mais importante, como é que eu a vou carregar. Esta é a parte logística, aquela que me entretém quando começo a ficar tristonha e saudosa - com demasiada antecipação - dos amigos, da família, do mar e da luz de Lisboa. Penso também na aventura que me espera, no mundo por descobrir e nos amigos e na família, fabulosos e fabulosa, que tenho e que me têm acompanhado em todos os momentos, mesmo quando implicavam a distância. Penso também nos amigos que vou reencontrar e na oportunidade que estou a agarrar. E por isso a minha saudade conjuga-se com expectativa e animação. É aquela sensação agri-doce. Mas a vida é mesmo assim, não é? Mas não posso deixar de começar esta aventura sem agradecer aos meus amigos, os de sempre e os mais recentes, os da escola e os do trabalho, pelo apoio, a generosidade e o afecto que me têm demonstrado, o que faz com que parta aconchegada com o seu amor e respeito.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Esclarecimento

Depois de algumas ameaças de só jantar e almoçar saladas por causa do post anterior, que fique registado que o efeito balança é mais do que bem vindo... eu é que já me tinha esquecido que o efeito de se ser imigrante é normalmente esse... sem contar que adoro o facto de andar com energia suficiente que me permite estar a corresponder aos convites, coisa que normalmente não é possível por causa das """" (ver post anterior;-)).
Pronto, tudo explicado... espero...

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Não há fome que não dê fartura

Quem me conhece sabe que eu sou um bocadinho bichinho do mato e isso de sair e jantaradas, mesmo que gostando imenso, tem de ter "peso, tento e medida", sobretudo quando combinados com almoços e cafezinhos. Ora, eu já me tinha esquecido do que é ser emigrante, mas rapidamente me lembraram, quanto mais não seja pela agenda repleta de marcações e os 3kg a mais que a balança já acusa (note-se este post é justificado precisamente por uma passagem nesse instrumento que me tem auxiliado com feitura das malas).

terça-feira, 24 de agosto de 2010

malas aviadas

Perplexa olha para os 6 sacos e duas malas. Dois anos, pensa, como se justificasse o acumular de coisas e a incapacidade de escolher que fundamentava aquele cenário. Ah! E não esquecer a mochila para levar no avião. Dois anos, repete. Mas não convencida. A viagem é, ainda, irreal. E as malas e os sacos organizados chocavam, pelo exagero, mas não tornavam as coisas mais reais. Simplesmente, pensava, chega de tanto materialismo, chega de "coisas", aproveita esta oportunidade, faz uma limpeza aos armários e basta de consumo. Mas continuava pouco convencida. Nada convencida. Talvez seja o cansaço de fazer as malas, arrumar papeis e, sobretudo, do acto de se despedir das pessoas que faziam com que tudo fosse irreal e pouco convincente. Como se amanhã retomasse o trabalho de sempre, com as pessoas que já conhece e as rotinas, porque são rotinas, que dão corpo ao seu quotidiano. 
Dois anos, 6 sacos, duas malas, um mochila... e o portátil, já se esquecia. Chega de consumo, repete. É já para a semana e, à excepção do excesso das coisas que vão para o outro lado do mundo, ainda não é real. 

sábado, 17 de julho de 2010

Com as contagens decrescentes e as listas de "to do"...

vem o medo e as inseguranças que me caracterizam. O receio de não ser aceite ou de falhar, misturado com a nostalgia antecipada de deixar Lisboa e os amigos que ficam longe... E, doente, este processo torna-se mais penoso. Hoje entrei num grupo de apoio na Internet. Estava claramente a precisar com pessoas que passam pelo mesmo que eu e que podem ajudar-me com estratégias de combate.
Sou novata nestas buscas da internet, dos melhores tratamentos, das melhores estratégias... depois perco-me perante a enormidade da informação sobre "a doença" ou o "síndrome" - ainda os escrevo assim, com aspas, porque ainda os vejo como elementos estranhos a mim, quando, na realidade não são. Enfim, é a minha amiga de todos os dias, uns dias mais bem disposta, outras mais maldiposta. e estes dias tem andando muito maldiposta e tem sido um diálogo frustrante comigo mesma. o que é que é suposto eu fazer com estes níveis de frustração, em que as coisas mais simples representam momentos de dores inexplicáveis? rrrr... estes dias nem uma hora normal consigo.... e fico anti-social e triste. Mas amanhã vou acordar mais bem disposta, porque eu sou mais forte do que as """" todas que tenho ao meu redor. Vai só levar mais tempo de vez em quando... e com a mudança tudo isto parece estar em valores de insuportabilidade! Preciso de uma janela para a tranquilidade!

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Voltando às "to do" lists" e prioridades

Hoje risquei três coisas (das chatas, chatinhas) da list da to do list para a primeira data da contagem decrescente (ele há cerca de três a correr ao mesmo tempo). Sim, isto nada como ser jurista, para se criar prazos para tudo. A primeira, termina no dia 30 de Julho. É aqui, por enquanto mais cria complicações, porque a lista de coisas a fazer em vez de diminuir aumenta.. e eu tenho neste momento, outras prioridades, que não as que me eram características.
Como escrevia há umas horas - sim, foi mesmo só há umas horas - apetece-me estar com pessoas, mesmo que sejam (neste caso, sobretudo) com as pessoas com quem partilho a minha sala de trabalho, ou os corredores. Mas apetece-me isto, sem o computador e os códigos ao meu redor. E sem os prazos alheios aos meus.
Mas por enquanto é mesmo assim, entre a falta de produtividade que me foge à disciplina e aquela que é da minha iniciativa consciente, o que não quero é gastar muito tempo com aquilo para o que não tenho neste momento espaço mental e, sobretudo, emocional.
Mas a lista lá está escrita na agenda, anotada no outlook, reiterada no gmail pessoal - não vá dar-se o caso de me esquecer de qualquer coisa, o melhor é ser em vários modos e meios distintos. Se um falhar, há o outro... o problema é que risco de um lado e ponho do outro, sem nunca chegar ao saldo zero. A crise está igualmente instalada, portanto, no meu quotidiano. Como diz uma pessoa que muito admiro, muita calma nesta hora, e, acrescento, citando uma outra que adoro, sorrindo sempre!

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Contagens decrescentes...

Em regra, não as faço, a menos que obrigada. Mesmo para as coisas boas. A importância que acaba por se traduzir a data em questão cria-me angústia, mesmo quando as coisas pelas quais estou à espera são boas, sobretudo quando as coisas implicam coisas boas e umas menos simpáticas. Que, sejamos realistas, são a maioria das coisas na vida: ambivalentes, com os dois lados da moeda, em que tratamos de estabelecer um equilíbrio entre vantagens/desvantagens (sem necessidade de se fazer uma lista de prós e contras, apesar de serem úteis em momentos de indecisão).

Mas voltando à contagem decrescente, estou no meio de uma, e mesmo não querendo, a passagem de cada dia transforma-se em "tic tac", falta isto e aquilo. Mas mais difícil, implica as primeiras despedidas, os primeiros "até breve", que são isso mesmo. Até breve, mas não me apetece essa parte desta minha aventura. Gostava que tivéssemos aquela capacidade do "Star-TRek" (acho eu que era) de nos tele-transportamos em longas distâncias, assim, eu podia ir na minha aventura e não ficar tão longe das pessoas que fazem parte da minha vida.

Mas não é assim, e por isso vou começando a aprender a aceitar o "tic-tac", com resistência e desconcentrando-me do que é essencial de vez em quando, deixando que as conversas se prolonguem mais tempo, mesmo com a lista de coisas para fazer aumenta, porque apetece-me é falar com as pessoas do que escrever coisas... excepto agora que, com o calor que faz nesta cidade linda que é Lisboa, é impossível dormir... talvez vá riscar uma coisa das "to do list" e amanhã posso conversar um pouco mais...